Preconceito descortina país pouco cordial

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Marcelo Semer, no Terra Magazine
De São Paulo

Homofobia, xenofobia, sexismo. Ojeriza ao pobre e um renascido antissemitismo.

Houve de tudo um pouco no cardápio tétrico dessa última semana de nenhum orgulho e muito preconceito.

Onde foi parar, afinal, aquele Brasil, um país de todos?

O deputado Jair Bolsonaro acusa seus colegas de querer transformar crianças em gays - como se uma campanha contra a intolerância pudesse controlar orientações sexuais.

Pelo sim, pelo não, a bancada religiosa impede a aprovação da lei que criminaliza a homofobia, para que os portadores das palavras de fé e esperança possam gozar da liberdade de disseminar preconceitos.

Parece piada, mas não é.

E o que é piada nem parece.

Rafinha Bastos tenta em vão fazer rir ao dizer que "toda mulher que se diz vítima de estupro é feia". O estuprador, então, não merece pena, mas um abraço. Ria-se com um barulho desses.

Rafinha, o homem mais influente do Twitter, segundo o nada desprezível New York Times, não está sozinho nesse novo humor bolsonaro, que busca agredir e chocar, custe o que custar.

Seu colega Danilo Gentili tuíta a um milhão e meio de seguidores grotesca piada com o Holocausto, para justificar uma imaginária aversão de judeus a vagões, sem compreender o que havia de preconceito de classe no repúdio ao Metrô em Higienópolis.

Moradores do bairro fizeram um abaixo-assinado contra a estação Angélica, e uma psicóloga descortinou em entrevista o principal motivo da rejeição: a chegada ao bairro de uma "gente diferenciada" que acompanha estações de Metrô - drogados, mendigos e, enfim, faltou acrescentar: pobres de todo o gênero.

A reação positiva e bem-humorada ao preconceito se deu com um churrasco-manifesto diante do luxuoso shopping Higienópolis, sábado último, em uma mobilização espontânea e sem líderes, provocada a partir de um convite que se alastrou no Facebook.

Mas nem o próprio Facebook escapou incólume da semana trágica.

O site de relacionamentos censurou a foto de perfil de uma mulher amamentando.

A imagem era justamente o ponto de partida para a campanha contra a proibição de amamentar em público, tomada pelo instituto Itaú Cultural. A campanha acabou resultado em um "mamaço" diante da própria instituição.

Curioso como o sexismo convive bem com a exposição erótica, mas não com o ato de saúde e carinho que é mais pura expressão do amor materno. Corpo nu da mulher só como objeto, jamais como sujeito.

Infelizmente, porém, nem todos os atos de preconceito ganharam a mesma indignação na rede social.

O jornal O Estado de S. Paulo publicou reportagem mostrando que com o crescimento de roubos no bairro do Morumbi, a Polícia Militar decidiu isolar a favela de Paraisópolis com uma operação chamada Saturação.

Os detalhes do tratamento daquela "gente diferenciada" são simplesmente impactantes: bloqueios da entrada da favela das 7h às 23h, três incursões diárias por suas vielas e ladeiras e soldados armados com potentes metralhadoras revistando as pessoas que entram ou saem da comunidade.

Os desabafos dos moradores não repercutiram no Facebook, mas merecem destaque: "Isso só serve para marcar todos como bandidos"; "Fui levar meu filho à escola com um monte de soldados e cavalos cercando minha rua".

Já imaginou se isso acontecesse em Higienópolis?

Se todas as pessoas da cidade são revistadas quando saem de suas casas, vivemos em um Estado Policial. Mas se apenas os favelados o são, vivemos um Estado ainda pior. Naquele que discrimina a suspeita, e em decorrência da maior vigilância, criminaliza a pobreza.

Alguém duvida que uma Operação Saturação, próxima a badaladas casas noturnas, não resultaria também em inúmeros crimes vinculados a entorpecentes?

Ou uma revista casa a casa em ruas dos Jardins não levaria à apreensão de armas ilegais, como muitas vezes se faz nas comunidades com mandados de busca coletivos?

A presunção de culpa não está distribuída igualmente pela sociedade.

E não está, porque, afinal de contas, a presunção de culpa é nada mais nada menos do que a mais fiel tradução do preconceito.


Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo

Leia mais em: Esquerdopata
Under Creative Commons License:



__._,_.___

Sobre A polêmica na mídia - Os livros didáticos e a linguagem

Aceitam tudo

Trecho do livro "Por uma Vida Melhor" apresenta a pergunta "posso falar 'os livro'?"

Sírio Possenti, Terra Magazine
De Campinas (SP)


De vez em quando, alguém diz que lingüistas "aceitam" tudo (isto é, que acham certa qualquer construção). Um comentário semelhante foi postado na semana passada. Achei que seria uma boa oportunidade para tentar esclarecer de novo o que fazem os linguistas.


Mas a razão para tentar ser claro não tem mais a ver apenas com aquele comentário. Surgiu uma celeuma causada por notas, comentários, entrevistas etc. a propósito de um livro de português que o MEC aprovou e que ensinaria que é certo dizer Os livro. Perguntado no espaço dos comentários, quando fiquei sabendo da questão, disse que não acreditava na matéria do IG, primeira fonte do debate. Depois tive acesso à indigitada página, no mesmo IG, e constatei que todos os que a leram a leram errado. Mas aposto que muitos a comentaram sem ler.


Vou tratar do tal "aceitam tudo", que vale também para o caso do livro.


Primeiro: duvido que alguém encontre esta afirmação em qualquer texto de linguística. É uma avaliação simplificada, na verdade, um simulacro, da posição dos linguistas em relação a um dos tópicos de seus estudos - a questão da variação ou da diversidade interna de qualquer língua. Vale a pena insistir: de qualquer língua.


Segundo: "aceitar" é um termo completamente sem sentido quando se trata de pesquisa. Imaginem o ridículo que seria perguntar a um químico se ele aceita que o oxigênio queime, a um físico se aceita a gravitação ou a fissão, a um ornitólogo se ele aceita que um tucano tenha bico tão desproporcional, a um botânico se ele aceita o cheiro da jaca, ou mesmo a um linguista se ele aceita que o inglês não tenha gênero nem subjuntivo e que o latim não tivesse artigo definido.


Não só não se pergunta se eles "aceitam", como também não se pergunta se isso tudo está certo. Como se sabe, houve época em que dizer que a Terra gira ao redor do sol dava fogueira. Semmelveis foi escorraçado pelos médicos que mandavam em Viena porque disse que todos deveriam lavar as mãos antes de certos procedimentos (por exemplo, quem viesse de uma autópsia e fosse verificar o grau de dilatação de uma parturiente). Não faltou quem dissesse "quem é ele para mandar a gente lavar as mãos?"


Ou seja: não se trata de aceitar ou de não aceitar nem de achar ou de não achar correto que as pessoas digam os livro. Acabo de sair de uma fila de supermercado e ouvi duas lata, dez real, três quilo a dar com pau. Eu deveria mandar esses consumidores calar a boca? Ora! Estávamos num caixa de supermercado, todos de bermuda e chinelo! Não era um congresso científico, nem um julgamento do Supremo!


Um linguista simplesmente "anota" os dados e tenta encontrar uma regra, isto é, uma regularidade, uma lei (não uma ordem, um mandato).


O caso é manjado: nesta variedade do português, só há marca de plural no elemento que precede o nome - artigo ou numeral (os livro, duas lata, dez real, três quilo). Se houver mais de dois elementos, a complexidade pode ser maior (meus dez livro, os meus livro verde etc.). O nome permanece invariável. O linguista vê isso, constata isso. Não só na fila do supermercado, mas também em documentos da Torre do Tombo anteriores a Camões. Portanto, mesmo na língua escrita dos sábios de antanho.
...
Volto ao tema do linguista que aceitaria tudo! Para quem só teve aula de certo / errado e acha que isso é tudo, especialmente se não tiver nenhuma formação histórica que lhe permitiria saber que o certo de agora pode ter sido o errado de antes, pode ser difícil entender que o trabalho do linguista é completamente diferente do trabalho do professor de português.


Não "aceitar" construções como as acima mencionadas ou mesmo algumas mais "chocantes" é, para um linguista, o que seria para um botânico não "aceitar" uma gramínea. O que não significa que o botânico paste.
...
Outro tema: o linguista diz que a escola deve ensinar a dizer Os livro? Não. Nenhum linguista propõe isso em lugar nenhum (desafio os que têm opinião contrária a fornecer uma referência). Aliás, isso não foi dito no tal livro, embora todos os comentaristas digam que leram isso.


O linguista não propõe isso por duas razões: a) as pessoas já sabem falar os livro, não precisam ser ensinadas (observe-se que ninguém fala o livros, o que não é banal); b) ele acha - e nisso tem razão - que é mais fácil que alguém aprenda os livros se lhe dizem que há duas formas de falar do que se lhe dizem que ele é burro e não sabe nem falar, que fala tudo errado. Há muitos relatos de experiências bem sucedidas porque adotaram uma postura diferente em relação à fala dos alunos.


Enfim, cada campo tem seus Bolsonaros. Merecidos ou não.


PS 1 - todos os comentaristas (colunistas de jornais, de blogs e de TVs) que eu ouvi leram errado uma página (sim, era só UMA página!) do livro que deu origem à celeuma na semana passada. Minha pergunta é: se eles defendem a língua culta como meio de comunicação, como explicam que leram tão mal um texto escrito em língua culta? É no teste PISA que o Brasil, sempre tem fracassado, não é? Pois é, este foi um teste de leitura. Nosso jornalismo seria reprovado.


PS 2 - Alexandre Garcia começou um comentário irado sobre o livro em questão assim, no Bom Dia, Brasil de terça-feira: "quando eu TAVA na escola...". Uma carta de leitor que criticava a forma "os livro" dizia "ensinam os alunos DE que se pode falar errado". Uma professora entrevistada que criticou a doutrina do livro disse "a língua é ONDE nos une" e Monforte perguntou "Onde FICA as leis de concordância?". Ou seja: eles abonaram a tese do livro que estavam criticando. Só que, provavelmente, acham que falam certinho! Não se dão conta do que acontece com a língua DELES mesmos!!




Sírio Possenti é professor associado do Departamento de Linguística da Unicamp e autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, Os humores da língua, Os limites do discurso, Questões para analistas de discurso e Língua na Mídia.

Leia mais em: Esquerdopata
Under Creative Commons License

Resolução Política: Diretório Nacional destaca tarefas pioritárias para o PT em 2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Diretório Nacional do PT, reunido neste sábado (30), em Brasília, aprovou Resolução Política onde destaca as tarefas prioritárias para o partido em 2011. No documento, o DN atribui ao partido as tarefas políticas de se mobilizar para garantir a realização de uma reforma político-eleitoral com participação popular; lutar pela democratização da comunicação de massas; a aprovação de uma reforma tributária; a organização do partido com vistas às eleições municipais de 2012 e a continuidade do debate ideológico, cultural e político contra as visões de mundo conservadoras, derrotadas em outubro de 2010, Leia abaixo a íntegra do documento:

RESOLUÇÃO POLÍTICA:

Os fatos que marcam o intervalo entre a última e a atual reunião do Diretório Nacional são amplamente favoráveis ao Partido dos Trabalhadores e a nosso projeto político. Primeiro, porque permanece inconteste a preferência do PT sobre os demais partidos brasileiros, em todos os setores sociais, – prestígio que sobreleva quando se consolida a popularidade, aqui e no exterior, do companheiro Lula, liderança máxima e presidente de honra do PT. Depois, mas não menos importante, é a expressiva aprovação popular da presidenta Dilma Rousseff, que, ao final dos 100 primeiros dias de governo, confirma nossas expectativas de que daria continuidade, com atualizações necessárias, às mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais empreendidas pelo governo Lula.



Reportagem recente da revista Time inclui a companheira Dilma entre as 100 personalidades mais influentes do mundo. Esse amplo apoio inicial ao nosso governo resulta da grande confiança do povo brasileiro no caminho iniciado pelo Presidente Lula e do qual ele – o povo brasileiro – é sujeito e beneficiário. Esse apoio também deve-se às primeiras ações do nosso governo, que vem reforçando as bases do desenvolvimento econômico com justiça social iniciado pelo presidente Lula: prosseguem as políticas sociais e de geração de empregos, ao mesmo tempo em que o combate à inflação não obedece aos ditames do capital financeiro e rentista, que sempre foram obstáculo à redistribuição da renda e ao investimento. Num quadro internacional marcado pela instabilidade, provocada simultaneamente pela crise e declínio dos EUA, o governo da presidenta Dilma reafirma o papel altivo e soberano do Brasil no mundo.



Também no plano internacional, as negociações exitosas com a China, na formação de relevante parceria, convalidam as diretrizes da política externa implementada pelo governo Lula: relações Sul-Sul, integração regional, ênfase na relação com África, democratização das instituições internacionais, multilateralismo, paz. Por fim, ainda sofrendo seqüelas do último pleito e envolvidos em contradições internas, os adversários do PT e do governo Dilma fragmentam-se. O esvaziamento do DEM, desidratado pelo lançamento do PSD em formação, acena para eventual fusão com o PSDB.



Envoltos numa guerra de cúpula pelo comando do partido e às voltas com a debandada de seis vereadores paulistanos, os tucanos debatem-se à procura de um rumo para a oposição. Em grande medida, tanto o DEM quanto o PSDB, que sempre atuaram a serviço da globalização neoliberal, hoje em crise, vivem também -- e por isso mesmo -- uma profunda crise de identidade. Carecendo de projeto nacional soberano, órfãos até de um programa oposicionista, vêm se pulverizando. Resumo da história: em artigo que acendeu polêmica em suas próprias hostes, até seu patrono intelectual desistiu de dialogar com o povo. A dispersão, a tática confusa, a fragilidade aparente dos oponentes não nos deve levar a subestimá-los: a oposição representa setores consideráveis da classe dominante, controla o poder em vários estados e tem a seu lado importantes aparelhos de poder.



Nestes primeiros quatro meses do ano, em meio à expansão do déficit público e da dívida dos EUA -- expressões de uma crise que se manifesta em todos os terrenos: financeiro, comercial, cambial, energético, alimentar, ambiental -- o mundo foi sacudido por sublevações populares no Norte da África e em países árabes, prenunciando o fim em série de longevos regimes ditatoriais. O PT manifestou-se publicamente em defesa das populações oprimidas, contra a intervenção militar externa e a favor de solução pacífica dos conflitos – particularmente no caso da Líbia, invadida por forças anglo-franco-americanas – posição por sinal convergente com o voto do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. As políticas de ajuste dos EUA, que se prolongam desde a última crise global, repercutem no mundo todo e, como não poderia deixar de ser, também no Brasil. Durante a visita do presidente Obama ao País, a presidenta Dilma fez ouvir nossas discordâncias em relação ao protecionismo americano e cobrou uma nova postura, em defesa da nossa economia. Por ocasião da visita de Obama, as forças democráticas populares também reafirmaram seu rechaço à base de Guantanamo e ao bloqueio contra Cuba; assim como reafirmamos nossa critica à ingerência dos EUA na América Latina, onde continuam os ventos de mudança, a exemplo do que está ocorrendo no segundo turno das eleições presidenciais do Peru, marcadas para o dia 5 de junho próximo.



A desvalorização do dólar diante de várias moedas, inclusive do real, reavivou, na mídia e na sociedade, o debate sobre a política econômica e os riscos – mais propagandísticos que reais – de uma escalada inflacionária, e da apreciação do real, que favorece as importações e dificulta as exportações nacionais. Sob a hegemonia do “pensamento único” e das políticas neoliberais do período FHC, o debate sobre as opções de política econômica era desqualificado. A valorização artificial do real, desmascarada logo após a reeleição de FHC; a sucessão de crises e o desemprego em massa; os descalabros que quase levaram o Brasil à bancarrota – tudo isso eram críticas dos “neobobos” da oposição ou fruto do radicalismo petista, partidário do “quanto pior, melhor”… Agora, depois que o país cresceu com inclusão social, distribuição de renda e geração de empregos, reviveu o interesse pelo debate sobre a política econômica do governo. E é bom que assim seja, para que a população toda possa fazer as escolhas sobre quais caminhos trilhar.



No que tange ao controle da inflação, o governo tem adotado uma política de combinar a variação da taxa de juros com a adoção das chamadas medidas macroprudenciais, tais como o aumento do compulsório dos bancos, a elevação do IOF e a contenção de créditos para o consumo. O combate à inflação, porém, não implica sacrificar as políticas de desenvolvimento social do governo, que requerem um crescimento do PIB entre 4 e 4,5% este ano. Aliás, as políticas de desenvolvimento econômico e social, como o investimento na ampliação da produção de alimentos por parte da pequena e media produção, são essenciais para combater alguns dos fatores causadores da inflação. O PT considera correta a orientação geral que o governo vem imprimindo, sobretudo sua decisão de manter as políticas de geração de empregos e distribuição de renda; as obras do PAC e de infra-estrutura para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016; os investimentos do Programa “Minha Casa, Minha Vida”; a ampliação do Bolsa Família; bem como os anunciados programas de melhoria da condições de vida da população.



Na atual conjuntura é papel do PT, junto aos partidos aliados, movimentos sociais e intelectualidade progressista, empenhar-se em outras tarefas, além de apoiar, dar sustentação e fazer avançar o governo Dilma. Até porque, o sucesso destas iniciativas concorre para fortalecer nosso projeto e contribui para o seu prosseguimento futuro. São elas, entre outras: a) a realização de uma reforma político-eleitoral com participação popular; b) a luta pela democratização da comunicação de massas; c) a aprovação de uma reforma tributária; d) a organização do partido com vistas às eleições municipais de 2012; e) a continuidade do debate ideológico, cultural e político contra as visões de mundo conservadoras, derrotadas em outubro de 2010, mas que tentam impor suas pautas na sociedade e ao governo. Destaca-se neste ponto a defesa dos direitos humanos e da aprovação, no Congresso Nacional, da Comissão da Verdade e da Justiça; f) a ampliação dos vínculos com a classe trabalhadora, engajando nossa militância em lutas como a redução da jornada sem redução de salários, que aguarda votação na Câmara dos Deputados. Os temas acima listados devem ser objeto de debate no Congresso que o partido realizará este ano, sendo obrigatório considerar os projetos apresentados pelo governo Dilma, tais como o marco regulatório, no caso das comunicações; e as propostas de reforma do ICMS, desoneração da folha de pagamentos, restituição de créditos PIS-CONFINS e aumento do teto do super simples, no caso da reforma tributária.



Definida como um dos pontos prioritários no 3o. e 4o. Congresso do PT, a bandeira da reforma política vem sendo empunhada há anos pelos partidos e movimentos sociais, sem que o Congresso Nacional promovesse qualquer mudança no ordenamento em vigor. Alterações nas regras eleitorais e no funcionamento dos partidos têm sido promovidas pela Justiça Eleitoral, algumas delas resultando em demandas no Supremo Tribunal Federal, como foi o caso da impugnação de candidatos considerados "fichas sujas". A chamada judicialização da política, neste aspecto, provoca insegurança nos partidos, entre candidatos e entre os próprios eleitores, inconformados por elegerem alguém que depois é barrado por decisões que ignoram. A última tentativa de realizar uma reforma política ocorreu em 2007 e seu insucesso gerou desânimo. Mas, agora, o clima parece mais propício. Tanto o Senado como a Câmara dos Deputados, com processos próprios, encamparam o tema. O primeiro, por meio de uma comissão, aprovou propostas importantes como o financiamento público de campanhas eleitorais, a fidelidade partidária, o voto proporcional em lista pré-ordenada, entre outras. Na Câmara, uma comissão formada por 51 parlamentares e com relatoria do petista Henrique Fontana , avança para construir até julho uma proposta global de reforma política.



O PT tem uma enorme responsabilidade na transformação desse anseio democrático em realidade. A reforma política com participação popular pode modernizar nosso sistema político, garantir o pluralismo e as identidades programáticas presentes na sociedade brasileira. Nosso partido tem defendido, em todos os foros, os pontos aprovados no 4o. Congresso: manutenção do sistema de voto proporcional, financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais, voto em lista pré-ordenada democraticamente elaborada, fidelidade partidária, fim das coligações proporcionais, facilitação dos instrumentos de democracia participativa (iniciativa popular em matéria legislativa, referendos e plebiscitos). A necessidade de mudanças nos processos eleitorais encontra eco na sociedade. Sobretudo, quando a idéia do financiamento público exclusivo, desvestido da manipulação de que os recursos sairiam da saúde, da educação ou viriam de um novo imposto, aparece como capaz de baratear as eleições ou de ajudar no combate à corrupção. O financiamento público é a mudança até agora mais consensual entre os partidos e fundações partidárias com quem o PT tem dialogado. O mesmo vale dizer para as centrais sindicais, a Plataforma de Movimentos Sociais e o movimento de combate à corrupção eleitoral. Em conjunto com os representantes de nossas bancadas no Congresso, com a Fundação Perseu Abramo, ouvida a presidenta Dilma e já assegurada a participação do companheiro Lula, o DN orienta, em Resolução específica, o encaminhamento para o diálogo com partidos, centrais sindicais, organizações da sociedade, prefeitos e governadores, tendo por objetivo culminar numa campanha nacional para realizar uma reforma político-eleitoral.



Cabe, finalmente, ao PT, desde já, preparar-se nacionalmente para as eleições de 2012, quando se nos impõe o desafio de responder às disputas locais de forma articulada com o projeto nacional que vem recebendo o apoio da maioria do povo brasileiro. Devemos destacar companheiros da CEN para definirem com precisão uma tática que favoreça nosso crescimento nas prefeituras e câmaras de vereadores e que coordenem o diálogo com todas as forças políticas e sociais interessadas na ampliação, no plano local, das conquistas alcançadas durante o governo Lula e que continuam com a presidenta Dilma. Uma grande vitória em 2012 será fundamental para o avanço da hegemonia democrática e popular, além de fortalecer nosso governo para sua continuidade em 2014. O DN, ao encerrar sua reunião, saúda as trabalhadoras e os trabalhadores neste 1º de Maio, que tem um significado especial para nosso País. O Brasil vive um momento único na sua história, para o qual a capacidade de organização, mobilização e formulação dos trabalhadores, através do movimento sindical, muito contribuiu.



Os 15 milhões de empregos formais, os aumentos reais de salários em mais de 90% das categorias profissionais e a valorização permanente do salário mínimo são algumas das conquistas desse período. Isso se deu, entre outros motivos, pelo respeito com que os trabalhadores foram tratados no governo Lula e continuam sendo no governo Dilma. Exemplos dessa nova forma de relação estão no reconhecimento das centrais sindicais e na presença do movimento nas decisões governamentais, através de conselhos, conferências e diversas formas de participação popular. Este protagonismo, no entanto, só foi possível porque os cutistas que militam no PT e os petistas com atuação sindical acumularam experiência e organização, permitindo a participação qualificada nas decisões do Estado. O PT reconhece, por outro lado, que a extraordinária melhora de vida dos trabalhadores e trabalhadoras não foi suficiente para acabar com as seculares disparidades sociais. Muito ainda precisa ser conquistado. A redução da jornada de trabalho sem redução de salários, a luta pelo trabalho decente e contra as práticas anti-sindicais e a organização nos locais de trabalho são bandeiras que todos nós devemos abraçar como instrumentos que podem melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro.



Neste 1º de Maio, celebramos um país que continuará caminhando na direção da justiça social, tendo trabalhadores e trabalhadoras como protagonistas desta caminhada. Brasília, 30 de abril de 2011. Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores.

Quem é o dono do jatinho do Aécio ?

terça-feira, 26 de abril de 2011

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/04/22/quem-e-o-dono-do-jatinho-aecio/


O do Aécio é legal, mas perde para o Bombardier do Agnelli
Saiu no Blog dos Amigos do Presidente Lula:

Dono do jato “AeroAécio” foi aparelhado na presidência de estatal do governo de Minas

Depois que repararam que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) anda em carro Land Rover da frota de carros de luxo de sua rádio, caiu na boca do povo que ele voa no jato prefixo PT-GAF (foto), avaliado em R$ 24 milhões.

A assessoria de imprensa do senador tucano explicou que o “Aeroaécio” pertence à empresa de táxi aéreo da família do banqueiro Gilberto de Andrade Faria, ex-dono do Banco Bandeirantes, padrasto de Aécio por cerca de 25 anos e falecido há 2. E que a aeronave é utilizada eventualmente, sem custos, por familiares.

O jato compõe a frota da empresa Banjet Táxi Aéreo Ltda.

Os donos da Banjet são Clemente de Faria (filho do ex-banqueiro) e Oswaldo Borges da Costa Filho.

Até aí é esquisito, mas ainda é problema particular.

A coisa complica quando o então governador Aécio nomeou um dos donos da Banjet, Oswaldo Borges da Costa Filho, para a presidência de uma estatal mineira: a CODEMIG (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais).

Para piorar, a CODEMIG atua também junto a mineradoras, e Oswaldo Borges da Costa Filho foi empresário de mineração: diretor-presidente da Companhia Mineradora do Pirocloro de Araxá, e diretor-presidente da Companhia Mineradora de Minas Gerais.

Tem muita coisa errada por aí… onde o governo tucano de Minas parece viver, não numa república, mas numa côrte imperial, numa mistura de família com estado, com cargos e negócios para amigos, que emprestam bens, misturando o público com o privado.

Atenciosamente

Warley Ávila Costa
Entidade Nacional dos Estudantes de Biologia/ENEBio
Ciências Biológicas
PUC Betim/MG

PSB aparelha Estado para salvar Deputado do Castelo, que não se elegeu

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Aparelhamento tucano pesado!
Publicado em 13-Abr-2011

Aliado político do governador tucano Antônio Anastasia e do novo líder da oposição nacional, senador Aécio Neves (PSDB-MG), o ex-deputado Edmar (do castelo) Moreira (ex-DEM, agora PR/MG), foi nomeado vice-presidente da Minas Gerais Participações S.A. (MGI), empresa de economia mista do governo mineiro.

Conhecido como o deputado do castelo - mansão que construiu em Minas - Edmar é o pivô do escândalo que levou à reformulação das regras de uso da verba indenizatória da Câmara dos Deputados. Quando integrava o DEM, o parlamentar rebelou-se contra o partido, lançou-se candidato avulso, derrotou um colega demo e se elegeu 1º vice-presidente da Câmara, tornando-se assim, também, Corregedor-Geral da Casa.

No posto, um de seus primeiros atos foi defender a extinção do Conselho de Ética. Pouco depois, descobriram que ele usava notas fiscais de suas próprias empresas para justificar os gastos com a verba indenizatória concedida pela Câmara. O escândalo levou a uma mudança na sistemática de concessão da remuneração.

No ano passado, Edmar obteve 45,5 mil votos, não se elegeu e ficou como 8º suplente de sua coligação. Como, segundo o ditado, quem tem padrinho não morre pagão, apadrinhado por Aécio e Anastasia, Edmar agora é contemplado com um cargo do alto escalão do governo mineiro. Exatamente por uma administração do PSDB, partido que mais acusa o PT de aparelhamento da máquina pública.

O senador Aécio Neves (PSDB/MG) é senador de Minas ou da mineradora Vale S.A.?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A pergunta se apresenta porque o demo-tucano andou defendendo os interesses de acionistas privados (grupo Bradesco) na mineradora Vale, ao tomar as dores de Roger Agnelli e acusar o governo federal (legítimo grande acionista) de interferir na empresa.
Ao mesmo tempo, soa como traição ao povo mineiro, o silêncio do senador quanto aos R$ 4 BILHÕES em royalties de mineração cobrados da empresa pelo DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) e contestado na justiça pela empresa.
A maior parte destes R$ 4 bilhões são para os cofres públicos do estado de Minas Gerais, que o senador demo-tucano deveria representar e estar brigando por eles.
Pelo menos R$ 7,25 milhões em financiamento de campanha
A sensação de traição ao povo mineiro aumenta, quando se fica sabendo que o maior financiador oficial de campanha de Aécio e seus companheiros foram empresas coligadas da Vale e do Bradesco (o maior sócio privado da mineradora).
Em 2010 as maiores doações para a campanha ao senado de Aécio são ocultas através do diretório estadual do PSDB, mas o diretório tucano de Minas recebeu das seguintes empresas subsidiárias ou ligadas à Vale:
Vale Fertilizantes S.A.: R$ 2,05 milhões.
Vale Manganês S.A.: R$ R$ 2 milhões.
Bradesco (patrão de Roger Agnelli): R$ 2,2 milhões
Banco Alvorada (pertencente ao Bradesco): R$ 1 milhão
Só aí chega-se a R$ 7,25 milhões para financiar o tucanato mineiro comandado por Aécio.
Em 2006 foi a Vale, através da subsidiária Urucum Mineração S/A, a maior doadora oficial da campanha dele à reeleição de governador, com R$ 1 milhão.
Em 2002 a subsidiária Navegação Vale do Rio Doce S.A. doou R$ 600 mil, ficando entre os maiores doadores. Coincidentemente nunca se ouviu uma palavra do demo-tucano contra a compra bilionária de navios pela empresa na China, prejudicando empregos na indústria naval e do aço nacional.
Esses valores foram encontrados em uma pesquisa superficial, apenas de bater os olhos na prestação de contas ao TSE. Uma pesquisa detalhada, cruzando e somando os dados, pode chegar a números bem maiores ligados à mineradora e ao Bradesco.
Nenhum político recusa financiamento privado para conseguir se eleger nesse sistema que está aí (por isso o financiamento privado tem que acabar). Mas os bons homens públicos aceitam dentro do conceito de financiar a democracia, e não como integrantes da bancada de uma empresa.
O senador deveria defender os R$ 4 bilhões do povo mineiro, que o elegeu para representar o estado de Minas, e não a empresa privada, como se estivesse pagando favores da conta eleitoral.
Pela atuação do senador demo-tucano, até agora, os interesses privados da Vale estão mandando mais em seu mandato, do que os interesses do eleitor mineiro que depositou seu voto nele.
By: Os Amigos do Presidente Lula

ÂNGELO PEZZUTI DA SILVA, Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Este texto demonstra como é importante a Comissão da Verdade.


Carta O Berro..........................................................repassem

ÂNGELO PEZZUTI DA SILVA

Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).

Angelo Pezzuti da Silva, nasceu em Araxá, Estado de Minas Gerais, no dia 27 de abril de 1946, filho de Carmela Pezzuti e Theofredo Pinto da Silva.

Cursou o primário no Grupo Escolar "Delfim Moreira" e o ginasial no Colégio "Dom Bosco", ainda em sua cidade natal. O curso científico, foi feito já em Belo

Horizonte, no Colégio "Padre Machado". lngressou na Faculdade de Medicina da UFMG, em 1964, onde permaneceu até 1968, optando por se especializar em

Psiquiatria. Ângelo tinha um temperamento alegre e extrovertido. Gostava de fazer amizades e cultivá-las.

Desde criança desenvolveu o gosto pela leitura e pelos estudos. Ainda cursando o primário, dedicou-se ao estudo de piano durante 2 anos. O gosto pela música

clássica, pela poesia, pelo teatro e pela leitura, principalmente dos autores regionais brasileiros mais intelectualizados e clássicos, acompanhou-o sempre.

Possuía grande fluência verbal, o que facilitava a exposição de suas idéias. Vivia intensamente, como se o momento presente fosse o mais importante. Era senhor

de uma ternura especial, mesclada de um certo ar irônico.

Sua militância política iniciou-se, efetivamente, no Colégio Padre Machado, onde participou do curso de alfabetização de adultos. Aí também já sofreu os

primeiros "cortes": foi eleito Presidente da Associação de Alunos e Diretor do Curso de Alfabetização, mas seu nome foi vetado pelo Diretor do Colégio, pelas

suas posições políticas de esquerda e questionamentos religiosos.

Na Faculdade de Medicina, de imediato integrou-se ao movimento de estudantes que visava a ampliação de vagas na Universidade Federal de Minas Gerais e a

absorção dos chamados "excedentes". Sua participação seguiu-se no Centro de Estudos de Medicina - CEM, no Diretório Acadêmico, e no "Show Medicina".

Em todas as frentes, lá estava o Ângelo participando.

Em busca de outras alternativas políticas, ingressou na Política Operária (POLOP) e, em 1967, juntamente com outros companheiros (Apolo Heringer e Carlos

Alberto Soares de Freitas) constituíram a primeira direção do COLINA (Comando de Libertação Nacional) que tinha como objetivo a luta armada como

instrumento de transformação social. Sempre esteve à frente dos grandes projetos da Organização - foi uma liderança intelectual, e participou das primeiras

ações armadas desde 1968.

Em 13 de janeiro de 1969 foi preso pelo DOPS, em Belo Horizonte. Inaugura-se, aí, um tempo de passagem por várias prisões: em Belo Horizonte, no Rio de

Janeiro e, depois, retornando a Minas, sendo levado para a prisão de Linhares, em Juiz de Fora.

Sofreu, nesta trajetória, vários tipos de tortura física e psicológica. Entretanto, o que mais marcou foi a obrigação de assistir, na Vila Militar do Rio de Janeiro, a

uma aula de tortura ministrada pelo Exército para 100 oficiais, onde alguns presos serviam de cobaia e, dentre os presos-cobaias, estava seu próprio irmão,

Murilo. Estas aulas eram dadas por diversos torturadores, entre eles o contraventor "Capitão Guimarães".

Juntamente com outros companheiros de Linhares, elaborou o "Documento de Linhares" denunciando as torturas e suas conseqüências dentro das prisões. Este

foi o primeiro documento, no gênero, elaborado no Brasil e encaminhado às autoridades brasileiras que ignoraram o seu conteúdo. Foi amplamente divulgado no

exterior.

Em 1970, Ângelo foi banido do país, trocado juntamente com outros 39 companheiros, inclusive seu irmão Murilo, pelo Embaixador Alemão. Ficaram exilados

na Argélia.

Em 1971 foi para o Chile, onde se encontrou com sua mãe Carmela, também banida do Brasil por suas atuações políticas. E aí casou-se com Maria do Carmo

Brito, com quem teve seu único filho, Juarez, que está com 23 anos cursando Ciências Biológicas na UNICAMP. Carmela vive hoje em Belo Horizonte sendo,

ao lado de sua irmã Ângela, os maiores símbolos da fibra desta família na resistência à ditadura.

Em 1972, por seus contatos com grupos chilenos que lutavam pelo socialismo, foi preso e torturado por policiais brasileiros que lá se encontravam, sendo

libertado logo em seguida.

Ainda no Chile, batalhou para provar a infiltração do cabo Anselmo nos meios revolucionários brasileiros, tentando convencer os companheiros que Anselmo era

um traidor e responsável por várias quedas e mortes.

Em seguida, veio o golpe chileno, o que o levou a pedir asilo na embaixada do Panamá. Sua permanência no Panamá foi curta, indo para a França, onde logo se

integrou ao Comitê Brasileiro cujo objetivo era obter asilo na Europa para outros companheiros brasileiros, chilenos, uruguaios que estavam em situação irregular

na América Latina. Com esse objetivo, viajou pela Europa fazendo contatos com as entidades de Direitos Humanos.

Em Paris, participava de um grupo de estudos que analisava o movimento histórico da América Latina e de grupos de apoio aos presos no Brasil.

Por duas vezes - a primeira no Chile e a segunda na França - Ângelo retornou aos seus estudos de Medicina, conseguindo formar-se, em Paris, em meados de

1975, como Psiquiatra.

No dia 11 de setembro de 1975, Ângelo morreu em um acidente de motocicleta em Paris. Seu corpo foi cremado no Cemiterio Père Lachese onde estão os

maiores heróis franceses e, em 1976, trazido para o Brasil. Suas cinzas foram colocadas no Cemitério das Paineiras em Araxá, sua terra natal.

Sobre sua morte, seu amigo Herbert Daniel escreveu:

"... não saberemos se foi seu gosto pela ironia que determinou a escolha da

data, aniversário do golpe do Chile. Ângelo escapou da cadeia no Brasil, escapou

do golpe no Chile; mas não escapou da sua ânsia de viver demais. Não viveu para

ver nenhum resultado. Este é o resumo brutal de todas as mortes provisórias..."

=====================================================================

+ detalhes.

10.11.07
Aulas de Tortura: os Presos-Cobaias

Aulas de Tortura: os Presos-Cobaias

O estudante Angelo Pezzuti da Silva, 23 anos, preso em Belo Horizonte e torturado no Rio, narrou ao Conselho de Justiça Mili­tar de Juiz de Fora, em 1970:

10.11.07
Aulas de Tortura: os Presos-Cobaias

Aulas de Tortura: os Presos-Cobaias

O estudante Angelo Pezzuti da Silva, 23 anos, preso em Belo Horizonte e torturado no Rio, narrou ao Conselho de Justiça Mili­tar de Juiz de Fora, em 1970:

(...); que, na PE (Polícia do Exército) da GB, verificaram o interrogado e seus companheiros que as torturas são uma instituição, vez que, o interrogado foi o instrumento de de­monstrações práticas desse sistema, em uma aula de que participaram mais de 100 (cem) sargentos e cujo professor era um Oficial da PE, chamado Tnt. Ayton que, nessa sala, ao tempo em que se projetavam "slides" sobre tortura, mos­trava-se na prática para a qual serviram o interrogado, MAU­RÍCIO PAIVA, AFONSO CELSO, MURILO PINTO, P. PAULO BRETAS, e, outros presos que estavam na PE-GB, de co­baias; (...)

A denúncia é confirmada no mesmo Processo, por depoentes acima citados, como o estudante, de 25 anos, Maurício Vieira de Paiva:

(...) que o método de torturas foi institucionalizado em nosso País e, que a prova deste fato não está na aplicação das tor­turas pura e simplesmente, mas, no fato de se ministrarem aulas a este respeito, sendo que, em uma delas o Interrogado e alguns dos seus companheiros, serviram de cobaias, aula esta que se realizou na PE da GB, foi ministrada para cem (100) militares das Forças Armadas, sendo seu instrutor um ten. HAYTON, daquela UM.; que, à concomitância da proje­ção dos "slides" sobre torturas elas eram demonstradas na prática, nos acusados, como o interrogado e seus companhei­ros, para toda a platéia; (...)

(...); que, na PE (Polícia do Exército) da GB, verificaram o interrogado e seus companheiros que as torturas são uma instituição, vez que, o interrogado foi o instrumento de de­monstrações práticas desse sistema, em uma aula de que participaram mais de 100 (cem) sargentos e cujo professor era um Oficial da PE, chamado Tnt. Ayton que, nessa sala, ao tempo em que se projetavam "slides" sobre tortura, mos­trava-se na prática para a qual serviram o interrogado, MAU­RÍCIO PAIVA, AFONSO CELSO, MURILO PINTO, P. PAULO BRETAS, e, outros presos que estavam na PE-GB, de co­baias; (...)

A denúncia é confirmada no mesmo Processo, por depoentes acima citados, como o estudante, de 25 anos, Maurício Vieira de Paiva:

(...) que o método de torturas foi institucionalizado em nosso País e, que a prova deste fato não está na aplicação das tor­turas pura e simplesmente, mas, no fato de se ministrarem aulas a este respeito, sendo que, em uma delas o Interrogado e alguns dos seus companheiros, serviram de cobaias, aula esta que se realizou na PE da GB, foi ministrada para cem (100) militares das Forças Armadas, sendo seu instrutor um ten. HAYTON, daquela UM.; que, à concomitância da proje­ção dos "slides" sobre torturas elas eram demonstradas na prática, nos acusados, como o interrogado e seus companhei­ros, para toda a platéia; (...)

----------

Comentários Políticos, por Wladimir Pomar

terça-feira, 12 de abril de 2011

11/04/2001

Fatos aparentemente desconexos

> A semana que passou foi marcada por fatos aparentemente desconexos.
> Num fato até então inédito no Brasil, um psicopata invade uma escola
> nos subúrbios do Rio, mata a tiros 12 crianças, fere mais de 20 e se
> suicida, após ser contido em sua fúria assassina pelo tiro de um
> policial. Noutro fato, também inédito nas relações internacionais do
> Brasil, a Organização dos Estados Americanos, por solicitação de uma
> entidade brasileira, exige do governo brasileiro a paralisação das
> obras da hidrelétrica de Belo Monte. Finalmente, num fato
> surpreendente para algumas correntes do PT, que tinham a esperança de
> contar com Aécio Neves como aliado, o ex-governador de Minas faz um
> discurso no Senado, tendo como alvo principal de seus ataques
> justamente o PT e sua história, em contraposição à história do PSDB.
>
> No primeiro fato, se seguíssemos com atenção os noticiários dos meses
> mais recentes, poderíamos ter presumido que algo de mais grave estaria
> por acontecer. Crimes sucessivos, envolvendo jovens e crianças, sem
> motivação muito clara, vinham se repetindo numa sucessão macabra em
> quase todos os estados do país. Quase todos com armas de fogo
> nacionais, adquiridas legal ou ilegalmente.
>
> Paralelamente, pela coragem de uma mulher do povo, descobriu-se que as
> patrulhas policiais haviam criado uma nova forma de fazer justiça com
> as próprias mãos, matando infratores à queima roupa, e
> transportando-os a seguir para hospitais, como feridos em tiroteio.
> Nos boletins de ocorrência constavam mortes durante o transporte de
> socorro. Apenas em São Paulo, suspeita-se do assassinato de mais de
> 450 pessoas através dessa nova modalidade. Dificilmente se pode crer
> que esta seja uma criação exclusivamente paulista.
>
> Temos, pois, num crescendo, uma preocupante banalização da violência
> criminal, individual e coletiva, na contramão do arrefecimento da ação
> armada de traficantes e outros tipos de banditismo, pelo menos no Rio
> de Janeiro, possivelmente pressionando a ação de psicopatas.
>
> No segundo fato, encontramos a tentativa explícita de interferência
> nos assuntos internos de um país. Os Estados Unidos já haviam voltado
> a proclamar seu direito de declarar guerras preventivas, como fizeram
> no Afeganistão e no Iraque. Agora, juntamente com França, Inglaterra e
> Itália, com suporte da OTAN, e utilizando uma resolução ambígua da
> ONU, interferem militarmente, descarada e abertamente, na Líbia,
> novamente a pretexto de derrubar um ditador.
>
> O mais chocante é que a imprensa, grande parte dos jornalistas, e
> mesmo setores de esquerda, acham isso normal. Não é por acaso, assim,
> que entidades que formalmente pretendem defender os índios e o meio
> ambiente, ao invés de mobilizarem o povo brasileiro para decidir as
> pendências nacionais, se arrogam o direito de apelar para um organismo
> internacional tomar a si a tarefa de tomar tal decisão. E que tal
> organismo, a OEA, ao contrário de se declarar incompetente para
> resolver problemas internos dos países, tenha achado natural exigir do
> governo brasileiro paralisar um de seus principais empreendimentos
> energéticos.
>
> Temos, pois, num crescendo, uma preocupante banalização da violência
> de interferência de potências e organismos internacionais nos negócios
> internos de países independentes, na contramão do desejo soberano dos
> povos decidirem seu próprio destino, seja contra ditadores, seja
> contra colonizadores, seja contra o tipo de vida que vinham levando.
>
> No terceiro fato, nos defrontamos com a liderança do PSDB, que
> pretensamente estabeleceria pontes de entendimento com o governo
> federal dirigido pelo PT, disparando torpedos contra esse partido. É
> provável que esta tenha sido a condição para um acordo interno da
> oposição de direita, através do qual Serra passa o cetro para Aécio,
> mas sob a condição deste não dar qualquer trégua ao PT. E, por mais
> que o novo líder tucano tenha se resguardado de fazer ataques frontais
> ao governo, não há dúvidas de que tais ataques estavam embutidos em
> sua tentativa de desqualificação do PT.
>
> Temos, finalmente, mais uma banalização da violência, desta vez na
> tentativa de mascarar o real papel histórico do PSDB e de esconder sua
> rápida transformação de um pseudo-partido social-democrata e
> progressista, num partido de direita, com tendências de se tornar
> ultra-direitista, no velho estilo da antiga União Democrática
> Nacional.
>
> O nexo da banalização da violência, seja da criminalidade bestial, da
> interferência descarada nos assuntos internos de países independentes,
> e da distorção da história, embora aparentemente através de fatos tão
> dispares, talvez contribua para alertar nosso povo de que estamos
> diante de fenômenos nacionais e internacionais que demandam a
> mobilização e a intensificação dos laços de solidariedade popular,
> democrática e nacional.
>
> Nesse sentido, é bem-vinda a decisão do professor Bresser Pereira, um
> dos fundadores do PSDB, que não só abandonou esse partido, como fez
> questão de desnudar sua verdadeira natureza. Segundo ele, já no
> governo FHC o partido caminhava para a direita muito claramente. Com a
> vitória do PT, em 2002, o PSDB continuou sua marcha acelerada para a
> direita e, desde 2006, tornou-se o partido dos ricos.
>
> Ainda segundo Bresser Pereira, pela primeira vez na história do Brasil
> houve eleições em que ficou absolutamente nítida a distinção entre a
> direita e a esquerda, ou seja, entre os pobres e a classe média e os
> ricos. E um partido dos ricos não lhe serve, seja pela sua posição
> social-democrata, seja pela sua posição nacionalista econômica. Ele
> reconhece que tanto ele quanto o PSDB mudaram. Este mais para a
> direita e ele um pouco mais para a esquerda, recuperando algumas
> ideias nacionalistas que achava muito importantes.
> Bresser Pereira também reconhece que a democracia sempre foi uma
> demanda dos pobres, dos trabalhadores, de classes médias republicanas,
> nunca foi dos ricos. Os ricos odeiam a democracia, embora digam que
> defendem. Se não têm ódio, pelo menos têm medo da democracia. Ele
> também retoma sua antiga posição de democrata radical, denunciando que
> a corrupção existe porque o capitalismo é essencialmente um sistema
> corrupto e os capitalistas estão permanentemente corrompendo o setor
> público.
> Finalmente, Brasser confessa que acreditava piamente na competição
> capitalista e não entendia o sentido do conceito de fraternidade.
> Apenas há pouco descobriu que ele é absolutamente fundamental, porque
> na sociedade capitalista existe uma quantidade muito grande de pessoas
> cuja capacidade de competir é muito limitada, e não são capazes de se
> defender da competição como devem. É por isso que ele considera o
> Bolsa Família um mecanismo altamente fraterno, solidário.
> Talvez sabendo a importância da solidariedade, há muito temos
> reiterado que o PSDB é o principal inimigo político do povo
> brasileiro, sendo inconsistente incutir qualquer ilusão a respeito de
> uma possível semelhança entre o tucanato e o petismo. Neste momento de
> tensão, causado pela banalização da violência criminal, da violência
> da interferência das potências e organizações nos problemas internos
> dos países, e da violência verbal da nova liderança tucana, é
> reconfortante constatar que Bresser Pereira redescobriu a fraternidade e a solidariedade.

Abaixo-assinado Pela reversão de propriedades históricas doadas a particulares para fins educacionais ao patrimônio público

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Abaixo-assinado Pela reversão de propriedades históricas doadas a particulares para fins educacionais ao patrimônio público

Venda do Colégio Dom Bosco em Cachoeira do Campo é ilegal

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Também fui salesiano e concordo com o prof. Délcio, texto abaixo. O Colégio em Cachoeira do campo foi doado pelo governo aos Salesianos. Além disso constitui patrimônio da nossa história. Os Salesianos não têm o direito de re4solver seus problemas financeiros com a sua venda. Leiam o texto, elucidativo:Venda do Colégio Dom Bosco
Délcio Vieira Salomon, Professor livre docente da UFMG, aposentado

Acaba de ser cometido um dos maiores atentados ao patrimônio histórico e cultural de Minas Gerais: a venda do Colégio Dom Bosco e toda a sua área em volta, em Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto, Região Central do estado. Seja qual for a justificativa da Congregação Salesiana, este ato comercial precisa ser urgentemente anulado. Há pouco lancei o meu Quase memória de uma rua sem memória. Há um momento que falo do Colégio Dom Bosco, com saudade, porque fui salesiano, e lá passei algum tempo de minha vida. Importa reproduzir o texto: “Mais do que qualquer outro educandário dos salesianos no Brasil, o Dom Bosco é o mais emblemático, pois sua história está ligada pessoalmente ao próprio fundador da Congregação Salesiana. Acredito que foi o primeiro educandário no mundo com o nome Dom Bosco, pois o fundador da Congregação Salesiana morreu em 31 de janeiro de 1888 e, em vida, não permitiria usasse seu nome para tal tipo de homenagem. Em 1883, o conde D’Eu, marido da princesa Isabel, genro de dom Pedro II, encontrou-se com dom Bosco em Paris e, em nome do sogro, lhe fez o convite de enviar ao Brasil os salesianos. Garantiu-lhe o futuro da obra salesiana num país tão promissor, mas carente de escolas.

A vinda dos salesianos para o Brasil se deu com a criação do Colégio Santa Rosa de Niterói, em 1883. Em 1885, foi criado o Liceu Coração de Jesus, em São Paulo. Por pouco não teria sido o colégio de Cachoeira do Campo o pioneiro. O prédio onde funcionou o colégio foi inicialmente o Quartel dos Dragões Del Rey, construído em 1775. Nele trabalhou o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, por isso pode ser considerado um dos berços da liberdade do Brasil. Naquele mesmo prédio, foi fundado, em 9 de junho de 1775. Este, mais tarde, passou a ser a bicentenária. Ainda se encontra, para ser apreciada, significativa peça: um brasão do mestre Antônio Francisco Lisboa, esculpido em 1779. Em 1854, o Parlamento brasileiro doou à Província de Minas as terras e prédios, como núcleo colonial de Ouro Preto.

Em 1888, o imperador dom Pedro II confirmou a doação das terras e do Quartel dos Dragões Del Rey à Província de Minas Gerais. Em 1889, o regime republicano repetiu a confirmação, como estadual’. Em 1893, em 22 de maio, foi sancionada pelo presidente Afonso Pena a Lei Estadual 43, concedendo as terras, prédios e subvenção de 30 contos de réis aos salesianos. Em 1895, o colégio já estava pronto para receber o fundador, o bispo salesiano dom Luiz Lasagna, quando se soube da trágica morte do ilustre prelado em Juiz de Fora, num encontro de trens, na estação de Mariano Procópio, em 6 de novembro de 1895. Somente em 24 de maio de 1896 deu-se a inauguração oficial da escola agrícola, como Escola Dom Bosco, dirigida pelo padre Carlos Peretto. Já nas primeiras décadas do século 20, o educandário passou a chamar-se Colégio Dom Bosco”.

Admira-me e até me causa revolta a coragem dos salesianos. Tendo recebido de graça todo aquele patrimônio, agora por causa do vil metal, num passe de mágica, apagam todo um passado histórico como o do Colégio Dom Bosco. Fica o meu apelo às promotorias públicas Federal e Estadual e à Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais para que, urgentemente, ajam no sentido de anular todos os atos de venda do Colégio Dom Bosco e adjacências, em Cachoeira do Campo.